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Prevenção da trombose venosa no dia a dia

Foto do escritor: Frederico Linhares
Frederico Linhares
há 2 dias
5 min de leitura

Uma viagem longa de carro, horas seguidas em frente ao computador ou alguns dias de repouso após uma cirurgia podem parecer situações comuns. Para algumas pessoas, porém, elas favorecem a formação de um coágulo em uma veia profunda, geralmente na perna. A prevenção da trombose venosa começa ao reconhecer esses momentos de risco e adotar cuidados proporcionais à sua realidade.

A trombose venosa profunda acontece quando um coágulo dificulta ou bloqueia a passagem do sangue dentro de uma veia. O problema merece atenção porque parte desse coágulo pode se deslocar até o pulmão e causar embolia pulmonar, uma condição potencialmente grave. A boa notícia é que muitos fatores de risco podem ser reduzidos com orientação médica e medidas simples na rotina.

Quem precisa redobrar a atenção à prevenção da trombose venosa?

Qualquer pessoa pode desenvolver trombose, mas o risco não é igual para todos. Ele aumenta quando há imobilidade, alterações na circulação, tendência maior à coagulação do sangue ou uma combinação desses fatores.

Pessoas que passaram por cirurgia recente, ficaram internadas, tiveram fratura ou precisam manter repouso por um período devem receber orientações individualizadas. O mesmo vale para quem já teve trombose, tem histórico familiar importante, câncer em tratamento, insuficiência cardíaca, obesidade, doença inflamatória, gestação ou pós-parto.

O uso de hormônios também merece conversa com o médico. Anticoncepcionais combinados e terapia hormonal podem aumentar o risco em algumas pacientes, especialmente quando coexistem tabagismo, enxaqueca com aura, obesidade, idade mais avançada ou antecedentes pessoais e familiares. Não interrompa um medicamento por conta própria, mas informe ao seu médico os seus fatores de risco.

As varizes, por sua vez, não significam automaticamente que uma pessoa terá trombose venosa profunda. No entanto, veias dilatadas, dor, inchaço e sensação de peso nas pernas podem indicar uma alteração na circulação que precisa de avaliação. Em alguns casos, há também risco de tromboflebite superficial, quando ocorre um coágulo em uma veia mais próxima da pele.

Movimento é uma medida simples e muito eficaz

Ficar imóvel por muitas horas reduz a ação da panturrilha, que funciona como uma espécie de bomba para ajudar o retorno do sangue das pernas ao coração. Por isso, movimentar-se regularmente é uma das bases da prevenção.

No trabalho sentado, procure levantar-se em intervalos regulares. Caminhar alguns minutos, alternar a posição das pernas e fazer movimentos de flexão e extensão dos tornozelos já ajuda. Não é preciso transformar cada pausa em treino: o objetivo é evitar longos períodos sem nenhuma contração muscular.

Em viagens de carro, ônibus ou avião, planeje paradas quando possível. Em um voo, levante-se e caminhe pelo corredor se houver segurança e autorização da tripulação. Quando estiver sentado, mexa os tornozelos, eleve e abaixe os calcanhares e evite permanecer com as pernas cruzadas por todo o trajeto.

A duração da viagem importa, mas não é o único ponto. Uma pessoa jovem, saudável e ativa tem um risco diferente de alguém que passou por cirurgia recentemente ou já teve trombose. É exatamente por isso que recomendações como uso de meia compressiva ou medicação preventiva não devem ser copiadas de outra pessoa.

Hidratação, peso e hábitos que protegem a circulação

Manter uma boa ingestão de líquidos é um cuidado útil, principalmente em dias quentes de Fortaleza e em viagens. A hidratação não substitui a movimentação nem elimina fatores de risco clínicos, mas contribui para o funcionamento geral do organismo e evita que você passe horas sem se levantar sequer para beber água.

A prática regular de atividade física, dentro dos seus limites, favorece a circulação, auxilia no controle do peso e reduz outros riscos cardiovasculares. Caminhada, musculação orientada, bicicleta, natação e exercícios de fortalecimento podem fazer parte desse cuidado. A melhor escolha é a atividade que você consegue manter com regularidade e segurança.

Parar de fumar também é uma decisão importante para a saúde vascular. O cigarro prejudica os vasos sanguíneos e pode se somar a outros fatores, como hormônios e histórico de trombose. Se esse processo for difícil, buscar apoio profissional aumenta as chances de sucesso.

Não existe alimento, chá ou suplemento capaz de prevenir trombose de forma isolada. Desconfie de promessas de limpeza das veias ou de produtos que se apresentam como substitutos de avaliação médica. Prevenção responsável envolve conhecer os riscos, manter hábitos consistentes e usar tratamentos comprovados quando indicados.

Meias e anticoagulantes: quando são necessários?

As meias de compressão podem ser úteis em situações específicas, mas precisam ter tamanho, modelo e pressão adequados. Elas são frequentemente indicadas para pacientes com sintomas venosos, varizes, inchaço ou após determinados procedimentos. Em pessoas com doença arterial nas pernas, por exemplo, a compressão pode não ser apropriada sem avaliação.

O anticoagulante é um medicamento que reduz a capacidade de formação de coágulos. Ele pode ser fundamental para prevenir trombose em pacientes internados, após algumas cirurgias, em períodos de imobilidade ou para quem apresenta risco elevado. Ao mesmo tempo, pode aumentar a chance de sangramentos. Por isso, nunca deve ser iniciado, suspenso ou ajustado sem prescrição médica.

Antes de uma cirurgia, inclusive procedimentos ortopédicos, abdominais, ginecológicos ou vasculares, informe ao médico se você já teve trombose, embolia pulmonar ou possui parentes de primeiro grau com esses diagnósticos. Esse histórico pode mudar o planejamento da prevenção antes e depois do procedimento.

Atenção aos sinais que não devem esperar

A prevenção também inclui agir rápido quando há suspeita. Os sintomas mais comuns de trombose venosa profunda são inchaço em uma perna, dor ou sensibilidade na panturrilha ou coxa, aumento de temperatura local, vermelhidão e sensação de endurecimento. Nem todos os pacientes apresentam todos esses sinais, e problemas musculares ou inflamações também podem causar sintomas parecidos. Ainda assim, dor e inchaço novos, principalmente em apenas uma perna, justificam avaliação médica sem demora.

Falta de ar súbita, dor no peito que piora ao respirar, tosse com sangue, palpitações, desmaio ou mal-estar intenso podem indicar embolia pulmonar. Nessa situação, a orientação é procurar atendimento de urgência imediatamente. Não massageie uma perna dolorida ou inchada na tentativa de aliviar o desconforto antes de ser avaliado.

O diagnóstico costuma envolver exame clínico e ultrassonografia vascular com Doppler, que permite analisar o fluxo sanguíneo nas veias. Quanto mais cedo a causa é identificada, mais seguro é definir a conduta adequada.

Quando a avaliação vascular faz diferença

Quem tem varizes visíveis, sensação frequente de peso, inchaço ao fim do dia, escurecimento da pele perto dos tornozelos ou episódios de veia endurecida e dolorida pode se beneficiar de uma avaliação com cirurgião vascular. O objetivo não é apenas melhorar a aparência das pernas, mas entender como está a circulação e indicar o cuidado mais adequado para cada caso.

Tratamentos modernos para varizes, como escleroterapia com espuma, laser transdérmico e endolaser da veia safena, podem ser opções para pacientes selecionados. A indicação depende do exame físico e do ultrassom, não apenas do aspecto das veias. Uma abordagem personalizada ajuda a tratar sintomas, reduzir complicações venosas e planejar uma recuperação compatível com a rotina.

Se suas pernas têm apresentado sinais persistentes ou se você possui fatores de risco para trombose, não espere um susto para buscar orientação. Uma consulta vascular permite esclarecer riscos reais, corrigir hábitos possíveis e definir uma estratégia de prevenção feita para você.

 
 
 

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