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Endolaser ou retirada da safena, qual escolher?

  • Foto do escritor: Frederico Linhares
    Frederico Linhares
  • há 7 dias
  • 5 min de leitura

Quando uma veia safena apresenta refluxo, ela deixa de conduzir o sangue de forma eficiente e pode alimentar varizes, dor, sensação de peso, inchaço e alterações na pele. Nesse cenário, a dúvida entre endolaser ou retirada da safena é comum - e a resposta não deve ser baseada apenas no medo de cirurgia ou no desejo de voltar logo à rotina. A melhor indicação depende do mapa das suas veias, dos sintomas, do estágio da doença venosa e de uma avaliação criteriosa com ultrassom Doppler.

A boa notícia é que a cirurgia vascular evoluiu. Em muitos casos, é possível tratar a safena comprometida sem a retirada convencional, utilizando técnicas minimamente invasivas que oferecem recuperação mais confortável. Mas isso não significa que uma técnica seja superior em todas as situações.

O que acontece quando a safena está doente?

A veia safena é uma das principais veias superficiais das pernas. Ela participa do retorno do sangue em direção ao coração, mas não é a única via disponível para essa função. Quando suas válvulas não fecham adequadamente, parte do sangue volta para baixo pela ação da gravidade. Esse refluxo aumenta a pressão dentro das veias superficiais e favorece o surgimento ou a piora das varizes.

É por isso que tratar apenas as veias visíveis nem sempre resolve o problema. Se a safena com refluxo continuar ativa, novas varizes podem aparecer ao longo do tempo. O tratamento da origem do refluxo costuma fazer parte de um planejamento mais duradouro e individualizado.

O ultrassom Doppler é essencial nessa etapa. Ele permite visualizar o trajeto da safena, medir seu diâmetro, identificar o sentido do fluxo sanguíneo e avaliar outras veias que possam estar envolvidas. Não é possível escolher a técnica ideal apenas observando as pernas ou comparando relatos de conhecidos.

Endolaser ou retirada da safena: entenda a diferença

A retirada da safena, também chamada de safenectomia ou stripping, é a técnica cirúrgica tradicional. Nela, a veia doente é desligada e removida por pequenas incisões. Durante muitos anos, esse foi o tratamento mais utilizado para casos de insuficiência da safena e, ainda hoje, pode ser indicado em situações específicas.

O endolaser é um tratamento endovenoso. Em vez de retirar a veia, o cirurgião introduz uma fibra de laser dentro dela, geralmente por uma punção na pele. Com o controle do ultrassom, a energia térmica é aplicada na parede da safena, fazendo com que ela se feche. Depois, o organismo absorve gradualmente esse vaso que já não funcionava de forma adequada.

Na prática, as duas técnicas têm o mesmo objetivo: interromper o refluxo venoso causado pela safena insuficiente. A diferença está na forma de alcançar esse resultado, no tipo de acesso, no pós-operatório e nas características de cada caso.

Como é o tratamento com endolaser

O endolaser costuma ser realizado com anestesia local associada a uma solução anestésica aplicada ao redor da veia, chamada anestesia tumescente. Dependendo do planejamento e do perfil do paciente, pode haver sedação. O procedimento é guiado por ultrassom, o que aumenta a precisão em todas as etapas.

Como o acesso é feito por uma pequena punção, normalmente há menos cortes e menos trauma nos tecidos ao redor. Muitos pacientes retornam para casa no mesmo dia e conseguem caminhar logo após o procedimento. A volta às atividades leves pode ser mais rápida, sempre respeitando a orientação médica.

Isso não quer dizer que o endolaser seja isento de desconforto. Podem ocorrer sensibilidade, áreas arroxeadas, sensação de repuxamento e endurecimento temporário no trajeto da veia tratada. Esses efeitos tendem a melhorar progressivamente durante a recuperação.

Como é a retirada convencional da safena

Na safenectomia, a veia é retirada por incisões estratégicas. O procedimento também pode ser seguro e eficaz quando bem indicado, mas costuma envolver maior manipulação cirúrgica. Por esse motivo, em muitos pacientes, o pós-operatório pode apresentar mais hematomas, dor local e necessidade de um tempo maior para retomar algumas atividades.

Ainda assim, não se deve tratar a cirurgia convencional como uma opção ultrapassada. Há situações anatômicas, clínicas ou relacionadas a tratamentos anteriores em que ela pode ser a alternativa mais adequada. A indicação médica responsável considera o que oferece melhor resultado e segurança, não apenas o que parece mais moderno.

Quando o endolaser costuma ser uma boa opção?

O endolaser é frequentemente indicado para pacientes com refluxo na safena magna ou safena parva, principalmente quando o ultrassom mostra um trajeto favorável para a passagem da fibra. Ele é valorizado por quem busca menos incisões, recuperação mais ágil e menor impacto na rotina profissional e familiar.

Também pode ser associado ao tratamento de varizes tributárias no mesmo planejamento. Algumas veias podem ser removidas por microincisões, enquanto outras podem ser tratadas com escleroterapia, conforme a necessidade. Não existe uma única técnica capaz de resolver todos os tipos de varizes com o mesmo resultado.

A possibilidade de realizar o procedimento de forma ambulatorial é outro ponto relevante. Para muitos pacientes, sair caminhando da clínica e se recuperar em casa representa uma diferença importante na experiência do tratamento. Porém, a decisão não deve ser tomada somente por conveniência.

Em quais casos a retirada da safena pode ser indicada?

A safenectomia pode ser considerada quando a anatomia da veia não favorece uma técnica endovenosa, quando há segmentos muito tortuosos, alterações importantes após procedimentos prévios ou outras condições identificadas na avaliação vascular. Em alguns casos, a decisão também envolve disponibilidade de recursos, contraindicações individuais e experiência da equipe com cada abordagem.

O mais importante é compreender que a escolha não deve ser uma disputa entre técnicas. Endolaser e retirada da safena são ferramentas diferentes para tratar um mesmo problema. O objetivo é controlar o refluxo, aliviar sintomas, reduzir a progressão da doença venosa e melhorar a qualidade de vida com segurança.

Recuperação: o que muda na rotina?

Após o endolaser, é comum que a recuperação seja mais rápida em comparação à retirada convencional da safena. Caminhar logo depois do procedimento geralmente faz parte das recomendações, pois ajuda a circulação e reduz riscos relacionados ao período de repouso. A necessidade de meia de compressão, o tempo de uso e a liberação para exercícios variam conforme o tratamento realizado.

Depois da safenectomia, os cuidados também incluem caminhada orientada, controle da dor e acompanhamento do processo de cicatrização. Como há incisões, é preciso atenção adicional aos curativos e à exposição solar das cicatrizes. O afastamento do trabalho não é igual para todos: depende da extensão do procedimento, da atividade profissional e da evolução individual.

Em qualquer técnica, alguns sinais exigem contato com o cirurgião vascular, como dor intensa ou progressiva, falta de ar, inchaço importante em uma perna, febre persistente, sangramento ou vermelhidão que aumenta ao redor das incisões. Um acompanhamento próximo faz parte da segurança do tratamento.

O resultado depende de mais do que da técnica

Tratar a safena com refluxo é uma etapa central, mas a doença venosa pode envolver diferentes veias e ter componente hereditário. Por isso, o resultado mais satisfatório costuma vir de um plano completo: diagnóstico por Doppler, escolha da abordagem adequada, tratamento das varizes associadas e acompanhamento após o procedimento.

Também é importante alinhar expectativas. O tratamento pode melhorar dor, peso, edema e aparência das pernas, mas não elimina a predisposição individual para desenvolver novas varizes no futuro. Manter o acompanhamento vascular permite identificar alterações precocemente e cuidar das pernas antes que sintomas e lesões de pele avancem.

Na consulta, leve suas dúvidas sobre anestesia, tempo de recuperação, uso de meia, retorno ao trabalho e prática de exercícios. Mais do que escolher entre endolaser ou retirada da safena, o passo decisivo é contar com uma avaliação vascular detalhada, que indique o tratamento mais seguro e coerente para o seu caso.

 
 
 

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