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Varizes podem voltar depois do tratamento?

  • Foto do escritor: Frederico Linhares
    Frederico Linhares
  • 16 de jul.
  • 5 min de leitura

Quando uma veia tratada desaparece e, meses ou anos depois, novos vasinhos ou varizes surgem nas pernas, é natural pensar que o procedimento falhou. A resposta para a dúvida “varizes podem voltar depois?” é sim, mas isso não significa necessariamente que a veia já tratada retornou ou que o tratamento não foi bem indicado. Na maior parte das vezes, trata-se da evolução de uma doença venosa que pode atingir outras veias ao longo do tempo.

Entender essa diferença ajuda a ajustar expectativas e, principalmente, a escolher um acompanhamento vascular adequado. O objetivo do tratamento moderno não é apenas melhorar a aparência das pernas: é tratar as veias doentes, aliviar sintomas e reduzir as consequências da insuficiência venosa.

Por que as varizes podem voltar depois do tratamento?

As varizes aparecem quando as válvulas dentro das veias não conseguem conduzir o sangue de forma eficiente de volta ao coração. Com isso, parte do sangue pode refluir e aumentar a pressão dentro das veias das pernas. Elas se dilatam, tornam-se tortuosas e podem causar peso, dor, cansaço, inchaço, coceira e alterações na pele.

Um procedimento bem realizado fecha ou remove a veia que estava comprometida. Essa veia tratada, por exemplo com espuma, laser ou endolaser, não costuma simplesmente se reabrir. Porém, outras veias que ainda não apresentavam alteração importante podem se tornar insuficientes com o passar dos anos. É por isso que o surgimento de novas varizes não deve ser interpretado automaticamente como recidiva do mesmo vaso.

Em alguns casos, pode haver recanalização, isto é, a reabertura parcial de uma veia que foi fechada. Essa possibilidade existe, embora seja avaliada de modo individual e dependa da técnica empregada, do calibre do vaso, do padrão da doença e do acompanhamento posterior. Há também situações em que pequenas veias residuais permanecem visíveis ou passam a receber fluxo de forma diferente após o tratamento de veias maiores.

O tratamento correto reduz o risco, mas não elimina a predisposição

A predisposição para varizes tem forte componente hereditário. Quem tem pai, mãe, irmãos ou avós com varizes pode apresentar maior tendência a desenvolver novas veias doentes, mesmo depois de tratar as que já causavam problemas.

Outros fatores também interferem. Gravidez, alterações hormonais, ganho de peso, sedentarismo, longos períodos em pé ou sentado, envelhecimento e histórico de trombose podem acelerar a progressão da doença venosa. Profissionais que passam muitas horas em pé, como professores, profissionais de saúde e pessoas que trabalham no comércio, frequentemente sentem esse impacto na rotina.

Isso não quer dizer que o paciente seja responsável pelo reaparecimento das varizes. Há fatores que não podem ser modificados, como genética e idade. Por outro lado, hábitos e acompanhamento médico podem ajudar a controlar sintomas e identificar alterações antes que elas se tornem mais extensas.

Nem toda veia visível exige o mesmo procedimento

Um erro comum é considerar todas as varizes iguais. Vasinhos finos, veias azuladas sob a pele e varizes calibrosas podem ter origens diferentes. Em algumas pessoas, o problema é predominantemente estético. Em outras, há refluxo em veias importantes, como a safena, que precisa ser investigado antes de qualquer aplicação.

Por isso, avaliar apenas o que aparece na pele pode levar a tratamentos incompletos. O exame físico feito por cirurgião vascular e, quando indicado, o ultrassom Doppler venoso mostram como o sangue circula nas veias profundas e superficiais. Com essas informações, é possível identificar a fonte do refluxo e definir uma estratégia mais precisa.

Quando a safena apresenta insuficiência, por exemplo, tratar somente os vasinhos pode trazer melhora limitada ou temporária. Nesses casos, o endolaser pode ser uma alternativa minimamente invasiva para fechar a veia doente por dentro, sem a necessidade da cirurgia convencional com cortes maiores. Depois, veias tributárias e vasinhos podem ser tratados de acordo com o planejamento.

Como reduzir a chance de novas varizes surgirem

Não existe uma medida capaz de impedir completamente o surgimento de novas varizes em alguém predisposto. Ainda assim, alguns cuidados fazem diferença para a saúde das pernas e para o controle da doença ao longo dos anos.

Manter uma rotina de caminhadas ou outra atividade física orientada favorece o funcionamento da panturrilha, conhecida como a bomba muscular das pernas. Ao se contrair durante o movimento, ela ajuda o sangue a retornar ao coração. Evitar ficar imóvel por muitas horas também é útil: em viagens, no trabalho sentado ou em pé, pequenas pausas para caminhar e movimentar os tornozelos já ajudam.

O controle do peso, quando necessário, reduz a sobrecarga sobre a circulação venosa. Durante a gestação, uma avaliação vascular pode orientar medidas de conforto e indicar o uso de meias de compressão nos casos adequados. Essas meias não eliminam varizes já existentes, mas podem aliviar sintomas e auxiliar em situações específicas, desde que tenham tamanho e compressão indicados corretamente.

Após um procedimento, seguir as recomendações da equipe médica é parte do tratamento. Dependendo da técnica, podem ser indicadas caminhadas, uso temporário de meia compressiva, retorno para revisão e sessões complementares. A recuperação dos métodos minimamente invasivos costuma ser rápida, mas cada caso tem particularidades.

Quando o retorno das varizes merece uma nova avaliação?

A presença de um ou outro vasinho pequeno após anos do tratamento nem sempre representa urgência. Ainda assim, vale marcar uma avaliação quando há aumento progressivo das veias aparentes, dor, sensação de peso, inchaço no fim do dia, cãibras frequentes, ardor ou coceira persistente.

Também é fundamental procurar atendimento se a pele próxima ao tornozelo escurecer, endurecer, ficar muito ressecada ou apresentar feridas. Esses sinais podem indicar doença venosa mais avançada e merecem investigação. Da mesma forma, dor súbita acompanhada de inchaço importante em uma perna, vermelhidão ou falta de ar exige atendimento médico imediato, pois pode estar relacionada a condições que vão além das varizes comuns.

A revisão periódica é especialmente útil para pacientes com histórico familiar forte, gestações, trombose anterior ou varizes extensas. Ela permite acompanhar a circulação e decidir o momento certo de intervir, sem tratar demais nem adiar uma conduta necessária.

Tratamentos atuais para varizes novas ou recorrentes

O tratamento depende do tipo de veia, dos sintomas e do resultado do Doppler. Para vasinhos e veias menores, a escleroterapia pode ser indicada. Na técnica com espuma, um medicamento é preparado para agir dentro de veias selecionadas, provocando o seu fechamento. O laser transdérmico pode complementar o cuidado de vasos superficiais muito finos em situações avaliadas pelo especialista.

Para veias maiores ou insuficiência da safena, o endolaser é uma opção moderna que trata a veia por dentro com energia térmica controlada. Por ser minimamente invasivo, costuma proporcionar menos trauma local e retorno mais ágil às atividades do que técnicas cirúrgicas tradicionais. Isso não significa que seja a melhor escolha para todas as pessoas: a indicação precisa considerar o mapa venoso de cada paciente.

Muitas vezes, o melhor resultado vem da combinação planejada de técnicas. Tratar primeiro a causa do refluxo e, depois, as veias visíveis pode melhorar tanto os sintomas quanto o resultado estético. O foco deve ser uma conduta personalizada, e não a repetição de um procedimento apenas porque funcionou para outra pessoa.

Perguntas frequentes sobre varizes que voltam

A variz tratada pode reaparecer no mesmo lugar?

Pode haver reabertura parcial de uma veia tratada em alguns casos, mas é frequente que uma nova veia próxima seja percebida como se fosse a mesma. O Doppler ajuda a diferenciar essas situações e orientar a conduta.

Gravidez faz as varizes voltarem?

A gravidez pode favorecer o aparecimento ou a piora de varizes devido a alterações hormonais, aumento do volume sanguíneo e maior pressão nas veias das pernas. Algumas veias melhoram após o parto, enquanto outras permanecem e podem ser tratadas no momento adequado.

Preciso tratar novamente mesmo sem dor?

Depende da avaliação. Vasinhos sem sintomas podem ser tratados por incômodo estético, enquanto varizes maiores merecem investigação mesmo quando não doem, pois podem estar associadas a refluxo venoso. A decisão deve respeitar os objetivos do paciente e a condição clínica observada.

Ter varizes novamente não é motivo para desânimo nem para conviver com desconforto. Uma avaliação vascular cuidadosa mostra o que realmente mudou na circulação e permite escolher um tratamento seguro, compatível com a sua rotina e com as necessidades das suas pernas.

 
 
 

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